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EU SEMPRE SENTI FALTA DE ME VER EM MEIOS DE MÍDIAS OU “ME” LER EM LIVROS



Mariana Rosa, escritora desde os 16 anos (como hobbie) até seus completos 24 anos, formada em Marketing, nascida em Florianópolis, mas criada em Niterói, Rio de Janeiro. “Aquele sonho não muito distante, de me tornar uma escritora profissional”, diz Rosa em seu perfil no Wattpad.

Autora da trilogia Entre Elas, atualmente sendo publicada na Amazon, e apaixonada pelas obras de Stephen King, “eu adoro como ele constrói um personagem e dá para ele inúmeras camadas. Eu tento fazer isso com os meus personagens, humanizá-los, trazê-los para uma realidade palpável” diz autora sobre King. A mesma sentia falta da representatividade LGBT, em especial, a falta de casais lésbicos como núcleo dos romances. Daí então juntou a vontade de escrever, a imaginação fervorosa e a falta de representatividade para que suas histórias saíssem “do forno”.

JI: Como começou o seu gosto pela escrita? Houve algum primeiro livro, aquele que deu início a sua carreira de escritora?

Eu sempre gostei muito de escrever, de criar histórias, minha mente nunca parou, sabe? Mas eu sempre senti falta de representatividade, principalmente quando se tratava de casais lésbicos e LGBT+ em geral. Então eu juntei minha vontade de escrever, minha imaginação fervorosa e a falta de representatividade. Juntei tudo isso e cá hoje estou escrevendo romances lésbicos. O primeiro livro que eu li sobre essa temática, foi um livro chamado: Toque de Veludo da Sarah Waters.

JI: Como foi quando você resolveu que iria publicar seu primeiro livro? Qual foi a sensação? Houve certa insegurança?

Eu estava muito nervosa, ainda mais como autora independente e sem muitos recursos ou grana para me “auto” patrocinar. Mas eu fui bem abraçada pelo público e hoje eu tenho uma gama de leitoras maravilhosas e super atenciosas. Eu ainda fico muito nervosa e minha ansiedade ataca quando estou para lançar um livro, afinal, eu quero que tudo dê certo. Pois, foram meses de muito trabalho, noites mal dormidas, carinho e amor depositado nas palavras. Então crio uma expectativa imensa para que as minhas leitoras sintam o amor que depositei ali.

JI: No Brasil é fato que não existem tantos leitores, o brasileiro parece ter certa “preguiça” pelo gosto da leitura. A sua família te apoia em querer continuar com a carreira de escritora? Ou é algo como: “Nossa! Você vai morrer de fome! No Brasil ninguém lê”?

Minha família em geral me apoia bastante, ainda que seja bem complicado. Eu escrevo romances lésbicos o que restringi ainda mais meu público e como já disse antes ser escritora independente não é fácil. Principalmente, porque você faz todo o trabalho de propaganda e marketing. Mas aos poucos eu estou conseguindo me manter e espero que eu evolua cada vez mais, porque sinceramente não me vejo fazendo outra coisa a não ser escrever.

JI: É perceptível a preferência que tem por casais lésbicos como núcleo dos seus livros. Por que escolheu seguir essa linha de gênero?

Justamente por eu achar que a representatividade ainda é mínima no meio literário e pelo preconceito que ainda se tem pela literatura lésbica. É bem ruim crescer sem uma representatividade, ligar a TV, ver filmes ou ler livros onde só se tem casal hétero. Eu sempre senti falta de me ver em meios de mídias ou “me” ler em livros. Eu apenas juntei minha vontade de escrever histórias e neles colocarem
duas mulheres como protagonistas.

JI: Outro ponto característico do enredo de seus livros é o gênero “hot” nas histórias. Sabemos bem que o romance hot hoje em dia tem entrado no gosto de muitos leitores. E você escolheu escrever romances hot lésbicos. O que te levou a entrar mais nesse mundo, nesse tipo de enredo?

Eu sempre gostei de escrever erotismo lésbico, uma forma de desmitificar um pouco do sexo lésbico, ainda visto como fetiche. Eu queria trazer algo um pouco diferente, meus livros não se baseiam apenas no sexo, mas para mim o sexo sempre foi algo natural. As pessoas quando se apaixonam ou tem desejos umas pelas outras, elas fazem sexo. Então eu as escrevi, com cuidado para não as vulgarizar.

JI: Existe algum gênero que tenha vontade de trabalhar para sair da sua zona de conforto? Por quê?

Eu gostaria de escrever terror ou suspense. Eu sempre gostei muito desses gêneros, a atmosfera que se constrói é incrível. Queria poder escrever algo como Misery do Stephen King. Mas tudo é treino, eu preciso escrever muito, treinar muito e ler muito, antes de escrever uma história boa de terror ou de suspense para prender o público.

JI: Quais são suas maiores inspirações para seus enredos? Afinal de contas são histórias diversas.

Alguns dos meus enredos vem através de sonhos, ou simplesmente quando estou sentada em algum lugar ou esperando alguma coisa. Cenas pipocam pela minha cabeça e do nada uma história surge. Ouvir histórias de outras pessoas sejam elas conhecidas ou aleatórias sempre ajudam a enriquecer sua imaginação.

JI: De todos os livros que já escreveu até hoje, qual é aquele que mais te dá certo orgulho? Por quê?

Eu amo todos! Sério! É quase impossível de escolher. Ai, que pergunta difícil. Eu vou falar o mais desafiador, porque é injusto eu escolher só uma história. Não seria justo com as minhas personagens. Mas o mais desafiador, foi Perfeita Para Mim, pois, Joanna, uma das personagens principais, foi praticamente impossível de escrevê-la. Eu demorava dias para escrever um capítulo por causa dela. Uma personagem complexa e com muitas camadas.

JI: O seu público é formado por mulheres, ou pelo menos, em sua maioria, certo? Você sente uma conexão entre suas leitoras e as suas obras já publicadas até hoje? Você sente que elas gostam das suas histórias, da sua escrita?

Isso, eu diria que pelo menos 90% ou mais. Talvez tenha um ou outro homem que leia, mas a grande maioria é mulher. Eu adoro muito minhas leitoras, tento o máximo falar com elas, dar atenção também. Elas são muito importantes para mim. É legal saber que algumas delas me apoiam e que principalmente gostam do meu trabalho. Eu fico ansiosa em saber o que elas estão achando do livro, amo demais um feedback.

JI: Como é o processo de escrita? Você já sentiu um bloqueio criativo? Já teve preguiça de sentar na frente do computador e colocar toda a história para fora?

Eu tento escrever todos os dias, ficar escrevendo pelo menos 6 horas por dia. Tem dias que é possível, outros, simplesmente as palavras não saem. Aí vem o bloqueio. Ou então eu quero escrever, eu tenho toda a cena na minha cabeça, mas eu não encontro as palavras. Essa sensação é bem ruim, saber que você sabe o que vai acontecer e não consegue escrever. Preguiça? TENHO, mas não posso ter, é meu trabalho que em jogo.

JI: Já sentiu vontade de parar com tudo, parar de escrever, não publicar mais nada? Sentiu que o alcance não era tanto e daí quis desanimar e desistir de tudo?

Já, poucas vezes, mas já. Tem dias que a gente desanima, seja por um comentário maldoso ou simplesmente por como você disse na pergunta, de não alcançar pessoas o suficiente. Pessoas que eu gostaria de alcançar, mas que sozinha eu não consigo. Por isso acho importante quando uma leitora te indica. Esse trabalho de “formiguinha” por indicação é ótimo, porque você vê que não está sozinha.

JI: Você publica seus e-books pela Amazon. Como foi a escolha da editora onde publicaria? Você tem vontade de suas obras estarem disponíveis também em formato físico, além do digital? Têm planos para isso? Conte-nos tudo e nãos nos esconda nada.

Todos meus e-books são pela Amazon, eu não tenho nenhuma editora por trás. Basicamente faço todo o trabalho sozinha. Eu gostaria muito de ter meus livros físicos, ao menos os da Série Entre Elas. Eu planejo tê-los em livros físicos, mas eu preciso primeiro capitalizar recursos e aí sim poderei publicá-los.

JI: Olhando para trás, desde a época que começou até agora, você sente que sua escrita mudou? Que ficou mais madura? Você se sente mais experiente?

O estilo ainda permanece e eu gosto do jeito que as palavras se desenham comigo, mas amadureci MUITO. É estranho ver seu primeiro livro e ver o mais recente lançado. O estilo permanece, mas a maturidade ficou ainda melhor com o tempo. O texto fica mais completo e robusto. Cada trabalho é como se eu evoluísse um pouquinho e espero continuar assim sempre. Para isso preciso escrever muito, exercitar bastante minha escrita e ler, ler é primordial.

Eu faço tudo isso principalmente para sempre trazer uma boa experiência para minhas leitoras. Elas são o mais importante em todo esse processo.  Eu penso muito nelas quando escrevo.

Um comentário:

  1. Oh! Mari Rosa tem o poder de encantar com as suas histórias inspiradoras, sei que tem um potencial imensurável!

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