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O QUE NÃO USAR NESSE CARNAVAL?

Nessa onda de ódio e preconceito, muitos ativistas e movimentos sociais começaram a ganhar mais forças dentro da sociedade. O nosso país vive em contradição com todas as suas questões e mantêm uma espécie de tradição que serve apenas para amaciar o ego de um grupo, o mesmo se denomina como superior à todas as outras classes - o carnaval é a época perfeita para ocorrer essa personificação do preconceito que há em nossa cultura, e há quem se oponha ao que dissemos sobre se transvestir durante as festas, ou usar outras culturas como mera fantasia. Vou dizer algumas coisas que não ficariam legal serem usadas durantes as festas, até porquê , essas fantasias são julgadas diariamente, quando fora do contexto sarcástico e motivo de chacota.

1. Blackface? Nem pensar!

Principalmente no começo desse ano, muitas coisas voltadas ao racismo passaram a serem frequentes e a discussão sobre a fantasia de nega maluca passou a ser a base de estudo sobre como o racismo estrutural está instalando e como ele funciona dentro da nossa sociedade. Não só entre pessoas brancas, mas as pessoas negras (pretos e pardos) passaram a reproduzir cada vez mais essa cultura escravocrata que ainda é uma pedra no nosso caminho.

A 'fantasia', teve um alto pico de popularidade no século 19, quando os atores brancos e os americanos, intimidados com a presença de pessoas negras na América passou a satirizá-los e colocar todo um grupo social numa posição inferior e de humilhação, para que pudesse divertir as famílias brancas que também compartilhavam do mesmo preconceito racial e do mínimo nível de empatia. No Brasil, a personagem surgiu com uma inspiração em ver uma mulher [negra] discutindo na porta de um bar acusando um homem se ser pai do seu filho.

2. Fantasia de índio? Também não

Se vestir de indígena para representar a cultura das tribos brasileira não é uma questão de orgulho, afinal, pouco nos importamos com a assistência social que os indígenas estão recebendo dentro das suas reservas e as ameaças que sofrem diariamente com invasão de madeireiros. Como havia dito, a nossa sociedade é uma contradição contrária de si mesma. Para respeitar uma cultura, não é necessário vestir-se do povo que cultua e mantêm a sua tradição viva, o mesmo serve para as famosas baianas. A sua roupa possui contexto histórico e sagrado dentro da sua fé, vestir para representar desvaloriza e satiriza de todo processo de luta que tiveram para chegar até aqui.

3. Transvestir-se também não é legal!

Pense bem. Somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, negamos educação, saúde, respeito, o direito à vida e inclusão ao mercado de trabalho - essa carência leva 90% das pessoas trans a recorrerem ao mercado da prostituição. Além de negarmos todos os seus direitos dentro do contexto social, vestir-se do sexo oposto a fim de diversão só reforça estereótipos e preconceitos que só crescem cada vez mais. 

Então, não pode usar nada??

Olha por outro lado, você poderá usar a coisa mais importante que o mundo precisa: o respeito! A nossa sociedade está muito polarizada entre grupos conservadores e movimentos sociais que estão indo em busca de direitos e respeito. Saber reconhecer a vivência dessas pessoas que tanto deseja representar pode te dar uma outra visão do que está fazendo, e como a maneira que está se vestindo pode ofender e até mesmo afetar todo um grupo.

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