ads top

JAIR MESSIAS BOLSONARO QUER SE LIVRAR DA TOMADA DE TRÊS PINOS

ASSESSORES CHAMAM A MEDIDA OBRIGATÓRIA DE “TOMADA DO PT”

O presidente Jair Messias Bolsonaro afirmou que quer acabar com as tomadas de três pinos. Na segunda (17) o jornal Valor Econômico publicou uma reportagem em que afirma que o Governo Federal estuda uma forma de emitir uma norma que acabe com a obrigatoriedade da tomada de três pinos, a única permitida no país desde 2011. Ainda de acordo com a publicação os assessores do atual presidente chamam o dispositivo de “tomada do PT”.


A HISTÓRIA DOS TRÊS PINOS


O que muitos ainda não sabem é que a história por trás da tomada de três pinos é antiga e longa, cheia de intensas reviravoltas até a sua ascensão. Tudo teria começado nos anos 80. Naquela época qualquer modelo era aceito no país. Bastava que o produto seguisse as exigências da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Nos anos 90 a ABNT resolveu abrir uma consulta pública para definir um padrão. E depois de muito escutar industrias, especialistas e consumidores ficou definido o uso do padrão com três pinos. O pino central serviria para o aterramento, uma medida que aumenta a segurança das instalações elétricas, mas não é implementada em todo o país.

Em 98, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a norma NBR 14.136 foi divulgada com as definições dos novos plugues. Em 2000, o Inmetro definiu que, a partir de 2006, o uso do padrão seria obrigatório para a emissão do Habite-se, um certificado da prefeitura que indica que a obra está finalizada. No entanto, os comerciantes e fabricantes tiveram até dezembro de 2009 para se adaptarem. Em 2011 foi proibida a comercialização de aparelhos com tomadas fora do padrão. Os lojistas flagrados desrespeitando as exigências poderiam pagar multa de até R$ 1,5 milhão.

É SEGURO OU, NÃO É?


O terceiro pino serve para construções que possuem o aterramento, e é importante para eletrodomésticos como geladeiras, máquinas de lavar roupa e micro-ondas. No entanto, para que funcione é preciso que o prédio ou casa possua o aterramento, o que não acontece em boa parte do país. Tornando assim, a tomada de três pinos, sem utilidade nenhuma para muita gente.

O modelo ainda impede que a mão do usuário entre em contato com os pinos na hora do encaixe. Isso se deve ao formato de “poço” das tomadas sextavadas (com seis lados).

A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) afirmou em nota enviada para o jornal Nexo que uma “eventual revogação do padrão expõe o usuário novamente a riscos que haviam sido sanados com a padronização: possibilidade de choque elétrico com risco de morte, funcionamento inseguro com aquecimento e risco de incêndio, perdas de energia devido a conexões inseguras”.

Já os críticos ao modelo afirmam que as tomadas não funcionam porque as edificações, pelo menos a maioria delas, são muito antigas. “O terceiro pino ainda é um formato sem utilidade. A escolha é mais segura, mas não precisaria ter mudado o padrão. Apenas introduzir o terceiro pino como uma alternativa mais segura para aqueles que possuem o aterramento”, afirmou ao UOL Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o país tem, em média, 1300 mortes por choque elétrico todo ano. Em São Paulo, entre 2000 e 2010, foram 35 mil incêndios causados por falhas elétricas. As pesquisas apontam que desde que o novo padrão entrou em vigor, em 2011, a quantidade de atendimentos por exposição a choque elétrico saltou de 857 para 1,3 mil, em 2017. Embora não se tenha como afirmar quantos desses casos foram causados por problemas em tomadas.

E AGORA, VAI REVOGAR?


Estimativa publicada pela revista Época, em 2018, diz que a mudança gerou um custo de ao menos R$ 1,4 bilhão para a população brasileira, que precisou se adaptar. Além, é claro, das resistências por parte dos comerciantes em adotar o novo modelo. 

Segundo, ainda, o jornal Valor Econômico, o Inmetro teria sido contra a revogação para a não obrigatoriedade da tomada de três pinos, mas quando pressionados pelo governo Bolsonaro, a se posicionar favoravelmente à ideia, a nota emitida teria sido diferente. Sendo assim “tecnicamente viável a disponibilidade de outro padrão internacional de tomada”.

Flexibilizar a adoção de outro padrão de tomada preferido pelo consumidor, de acordo com a melhor aderência aos plugues de seus equipamentos eletroeletrônicos, pode ser considerado”, afirmou ao jornal a presidente do Inmetro, Angela Flores Furtado.
Essa provável alteração já estava sendo prevista pelo atual governo. Logo após o anuncio do fim do horário de verão, o assessor internacional do Planalto, Felipe Garcia Martins, usou a rede social Twitter, no mês de abril, para soltar a seguinte “polêmica”: “Temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas e do acordo ortográfico”.


Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.