Ads Top

“QUANDO MERGULHEI NO MUNDO DA ESCRITA, PERCEBI QUE NÃO É FÁCIL SER ESCRITORA NO BRASIL”, DIZ QUEZIA SANTOS

AUTORA DE “ENTRE PALCOS E ARMÁRIOS” COMEÇOU A ESCREVER COM 10 ANOS 

ARQUIVO PESSOAL INSTAGRAM QUEZIA SANTOS

Quezia Santos é uma jovem cristã de 23 anos e autora do livro, publicado na plataforma Wattpad, intitulado “Entre Palcos e Armários”, com mais de 6 mil leituras. Universitária no curso de Letras (língua portuguesa) e residente do Rio de Janeiro, mais especificamente do município de Belford. Seus hobbies baseiam em tocar violão, além de ser uma compositora (como seu perfil no instagram informa) e escrever poesias/ poemas.

Todos nós sabemos como veio a inspiração para escrever a história. Mesmo assim gostaríamos de entender melhor. Isso tudo foi um sonho? Conta mais como foi o processo de inspiração e criação.

Então, aos 12 anos eu tive um sonho onde duas irmãs que sofriam bullying na escola, criavam uma banda na escola juntamente com um amigo. Foi um sonho rápido, mas que guardei muito no subconsciente. Novamente aos 16 anos, tive o mesmo sonho e foi aí que comecei a tentar desenvolver isso em uma história. Como criar um livro é um processo mais demorado, precisava de algo mais impactante e não somente duas irmãs na escola que resolvem um dia montar uma banda. A intenção nunca foi escrever um livro de ficção adolescente, mas sim Young Adult. O processo de criação da estrutura do livro foi demorado, principalmente pela narrativa, já que escrever em 2° pessoa não causa tanto impacto como escrever em 1° pessoa. A maioria dos leitores se apegam mais com livros em que os personagens narram a história e justamente por este motivo que o livro demorou para ser escrito. Além disso, muitos só falam do suicídio dos filhos, porém mães também podem entrar em depressão e tirar sua própria vida. Em Entre Palcos e Armários, trago uma história onde temos uma personagem a qual é estuprada, porém consegue erguer a cabeça e fazer justiça contra o agressor.

Ou minha imaginação é muito fértil, ou então não sei. Mas fiquei muito intrigada com as referências a Disney. A exemplo do quadro de artistas que representam os personagens, as referências aos programas de lá. Teve alguma coisa a ver? Ou foi algo sem querer que acabou acontecendo? Porque, a não ser que minha imaginação esteja demais, mas vi muitos momentos Disney, novelas teens.

Fazer referências a Disney foi proposital sim, já que depois de assistir filmes como A Escolha Perfeita, Lemonade Mouth, Meninas Malvadas, A Girl Like Her e entre outros me deu inspirações e como a história do livro se passa nos EUA, o ambiente precisava ser "americanizado" digamos assim. Como por exemplo o uso constante dos armários dos alunos, as líderes de torcida, jornal da escola, bailes de primavera, jogos como basquete e futebol americano, e assim por diante.

Falar sobre temas polêmicos em livros e encaixa-los nos enredos de forma harmoniosa não é fácil. Como foi escrever sobre estupro? A sensação, como você se sentiu? Você estudou sobre o assunto, pegou depoimentos de vítimas?

Eu não imaginava que fosse escrever sobre estupro, todavia, como a minha intenção era criar uma história impactante incluir esse tema foi necessário. Foi quando decidi que a Elizabeth precisava estar viva e retornar no meio do livro criando assim o plot twist do mesmo. Assim que tomei a decisão de escrever sobre assédio e estupro em ambiente de trabalho, procurei e pesquisei sobre o assunto como: o trauma que a mulher sente após passar por tal humilhação e como os certos homens que já tem essa má índole agem. Entrevistei duas mulheres que foram assediadas e estupradas dentro do ambiente de trabalho. Uma delas chegou a engravidar do estuprador, porém a mesma decidiu abortar. Ambas pediram para que eu não divulgasse suas identidades e assim o fiz. As duas entrevistadas entraram em depressão após o ato e uma delas tentou suicídio três vezes, pois sentia suja e culpada pelo o que houve. Uma delas também não conseguia mais ter relações sexuais com seu cônjuge. Ela não suportava o fato de ter um homem tocando ela pois tudo trazia lembranças ruins do dia horrendo que passara. Além disso, na mesma semana que eu escrevia o livro, a bomba do João de Deus vazou contando tudo que ele fazia com as pacientes, os abusos e os relatos daquelas vítimas também me trouxe base para o falar sobre o assunto.

Estupro não é fácil e quando escrevi as cenas degradante envolvendo a Elizabeth, foi complicado. Por este motivo a classificação do livro é para maiores de 16 anos, já que este conteúdo pode causar desconforto nos leitores então deixo isso bem claro. Mesmo sendo um livro de ficção isso é o que mais acontece. As mulheres são estupradas e guardam isso para si como uma culpa por aquilo ter acontecido. Independentemente de quem fez, seja assédio, cantada, etc a mulher não pode ficar calada. E essa é a principal mensagem do livro: Em um estupro, a vítima nunca tem culpa e tal ato acontece porque existe um estuprador.

A pouco tempo você expôs em sua conta no instagram que estava passando por uma depressão, e até que estaria entrando em tratamento para que melhorasse e tudo o mais. E então você escreve um livro que tem como tema principal esse assunto. Como foi abordar esse tema? Principalmente em um mundo crítico em que estamos, e você tão próxima da doença. Você se enxergou nas personagens que tinham e tiveram a doença?

Não foi fácil, principalmente nas cenas onde relato a automutilação de uma criança de 10 anos e outras demais como a cena do suicídio da Elizabeth e a degradação mental da mesma. Eu tive que pausar a escrita desse livro por seis meses para o meu próprio bem, porque por mais que eu soubesse o que era depressão pesquisar sobre o assunto era essencial. Todavia, isso me afetava bastante e por isso fiz essa pausa. A Sidney foi com quem eu mais me identifiquei, pois, maior parte da personalidade dela é a minha. A minha primeira experiência contra a depressão foi quase na idade da personagem. Eu tinha uns 12 anos quando comecei a sofrer bullying na escola e isso me destruía diariamente. Todos os dias era uma humilhação diferente, um deboche diferente e assim por diante. Inclusive, a personagem Mallory e parte da sua história com a mãe com câncer à beira da morte, foi inspirada em uma das meninas que me perseguia no ensino fundamental (6° série). Ela agia exatamente como a Mallory, até que quando a diretoria descobriu boatos chegou até mim de que ela havia acabado de perder a mãe para um câncer agressivo que acabou dando metástase. O importante é que as pessoas entendam que não existe idade para depressão e esse tabu de que é coisa do demônio precisava acabar. Depressão é doença, é falta de serotonina do cérebro e requer tratamento psicológico.

Vamos conhecer um pouco mais da Quezia Santos. Aliás, da escritora Quezia Santos. Quando foi que a paixão pela escrita bateu forte no coração? E quando foi que decidiu escrever profissionalmente?

Aos 15 anos eu tinha uma história em mente inspirada na fé da minha avó. Foi momentaneamente sabe um dia eu acordei a senti que precisava escrever algo. Eu já era poetisa desde os 10 anos. Amava escrever poesias e poemas, mas nunca imaginei que fosse escrever e publicar um livro. Quando mergulhei no mundo da escrita, percebi que não é fácil ser escritora no Brasil. Ganhar reconhecimento, digo, se tornar uma Thalita Rebouças por exemplo é demorado. Mas aos poucos, com a divulgação certa, você chega lá. Hoje com 23 anos, não me imagino fazendo algo diferente a não ser inspirar pessoas através das minhas histórias.

Quais os autores que te inspiraram? E os seus autores favoritos?

Para este livro eu tive que lê Sorte - Um caso de estupro da autora Alice Sebold. Mas meus autores favoritos são Nicholas Sparks, Diana Gabaldon e Markus Zusack.

Para encerrar. Você escreveu um conto um pouco mais puxado para o terror. Você gosta de se aventurar entre vários temas, além do romance?

Eu escrevo de tudo um pouco, basta eu estar inspirada. Se eu tiver uma ideia e vê que ela pode agradar os leitores, independentemente do gênero eu irei escrever com certeza. Porém ainda nunca escrevi ficção científica, o qual tenho planejamentos futuros para um livro pós-apocalíptico o qual se passa no Brasil.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.