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SOBRE COMPORTAMENTO SOCIAL E EMBRANQUECIMENTO

Nós temos uma sociedade fruto da escravidão e colonialismo que, ao entrar em contato com outros povos, embranqueceu todas as culturas na tentativa delas se autodestruírem. Isso se chama embranquecer, tornar essa cultura em algo apropriado ao limitado entendimento e conhecimento branco. Ou, melhor dizendo, espremer um vasto desenvolvimento à ignorância branca, enquanto até que eles sejam capazes de entender ou replicar da sua maneira. E assim a nossa sociedade foi de desenvolvendo, desde o período colonial até a atualidade, muitas coisas vêm sendo embranquecidas e apropriada à elite brasileira. Desde as religiões de matriz africana, capoeira, até os movimentos e conquistas do movimento negro. Existem muitos brancos mestiços declarando-se pretos/negros para garantirem vaga e lucro na militância das grandes corporações que não possuem uma quantidade razoável de negros como funcionários (em nenhum setor, nem de subjugado), mas os contratam com interesse de camuflar a inclusão inexistente.

Enquanto muitos do movimento negro e da comunidade vêm desenvolvendo técnicas e maneiras de ensinar a nova geração sobre ancestralidade, resgatar o que nos foi tomado, e entender o que é diáspora, existem muitos outros seguindo o caminho oposto, negando o que foi construído com muito sangue retinto derramado, como o novo presidente da Fundação Palmares. Mas vamos por partes!

O embranquecimento da geração negra

Entendemos embranquecer como 'tornar algo branco', mas esse algo tornado em branco geralmente é fruto da cultura Yoruba e Indígena, apropriação mesmo. Mas isso é algo estrutural e permeia pela comunidade e na cabeça das pessoas negras, de geração para geração, como um vírus transmitido pelo sangue que se cura através do conhecimento ancestral adquirido no decorrer do tempo. É preciso matar o branco que tem dentro de você. Nós temos uma geração adoentada por diferentes motivos: renegar a sua ancestralidade que está presente nos traços, na cor e cabelo, também negar a existência do racismo e normalizar, e sempre ir em busca de se enquadrar num padrão estético - te dou uma chance para descobrir a cor desse padrão. Na maioria das vezes, esse negro embranquecido nega amor até mesmo ao seu semelhante.

Falar sobre palmitagem é algo complicado. As pessoas não entendem que amar a sua raça está longe de ser da boca para fora, em usar lindas roupas com estampas e tecidos africanos, em assumir a raiz natural do cabelo e poder exaltar a sua beleza. Na verdade, ancestralidade é ubuntu, e ubuntu é estar totalmente ligado ao seu igual, ao semelhante, e à comunidade. Mas a comunidade tem que ser preta, negra, negríssima. Estar ligado à sua raça é saber que um preto no topo precisa esticar as mãos para outros pretos, que estão em busca do topo. E partindo do momento que você palmita - isso é, relacionar-se com pessoas brancas, além da cama, -, toda a sua ancestralidade está em risco, pois o branco só se relaciona com um negro em ascensão para que a fortuna em ti depositada retorne de alguma forma aos colonialistas.

Vamos pôr os pingos nos i's: todo branco é racista. Independente dos avós negros, dos amigos negros, do professor negro, do vizinho da cidade ao lado negro, do negro. A diferença de vida entre um branco de qualquer classe social e uma pessoa negra é gritante e altamente perceptível. Logo, assume-se a posição de racista somente por existir, pelo crime dos seus ancestrais (se tiver, né!) e por todo comportamento que o sistema e a instituição brasileira possui com pessoas negras, com as suas vidas e o seu desenvolvimento. Nós fomos colocados numa diáspora para gerar lixo e lucro. E tudo que é desenvolvimento dentro dessa diáspora é para beneficiar o branco!

Não temo ser chamado de extremista. Nem mesmo de racista reverso (risos demoníacos). Na verdade, tem muita coisa que precisa ser remodelada nessa sociedade e com certeza não será por brancos e negros embranquecidos que serei apontado em algum momento, pois os mesmos estão sem credibilidade alguma pelos danos que causaram à minha geração e aos meus ancestrais.

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