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“NESSE MOMENTO AS VITIMAS DE RACISMO FORAM OS POLICIAIS”, DIZ TADEU

PARLAMENTAR ARRANCA CARTAZ DA EXPOSIÇÃO (RE)EXISTIR NO BRASIL- TRAJETÓRIAS NEGRAS BRASILEIRAS

Foi na terça-feira (19) que o parlamentar Coronel Tadeu (PSL-SP) arrancou um cartaz que, segundo ele, cometia “racismo contra os policiais militares”. O cartaz tratava-se de uma charge do cartunista Latuff, na qual um rapaz negro aparece morto, enquanto um policial militar se afastaria carregando uma arma. A arte fazia parte da exposição “(Re)Existir no Brasil – Trajetórias Negras Brasileiras”,    visando gerar consciência nas pessoas sobre a importância da morte de jovens negros, já que hoje, quarta (20), é comemorado o Dia da Consciência Negra.


Após destruir o cartaz, o Coronel afirmou que os “policiais não são assassinos”. “Nesse momento as vítimas de racismo foram os policiais que foram acusados de serem os executores, homicidas. A mensagem é imprópria e não deveria estar dentro da Câmara dos Deputados”, afirma Tadeu. O mesmo ainda declara “Policiais são guardiões da sociedade, sinto orgulho de ter 600 mil profissionais trabalhando pela segurança de 240 milhões de brasileiros”, escreveu, ao divulgar o vídeo em que comentou sobre seu ato.

O deputado ainda diz não se arrepender do acontecido. “Não me sinto arrependido. Fiz o meu papel eleito por quase 100 mil famílias de policiais do Estado de São Paulo”, afirma.

O cartunista Latuff, responsável pela obra, posicionou-se contrário a atitude do deputado. “Essa agressão de um policial militar, que por acaso também é parlamentar, contra uma charge exposta no Congresso Nacional e que denuncia a violência policial, nos leva a seguinte reflexão. Se fazem isso contra um cartaz, imagina gente de carne, osso e pele negra!”, publicou.  


Os deputados que agem contra entendem que a fala tem conotação racista, configurado como crime inafiançável e imprescritível. “Obviamente, a liberdade de expressão e imunidade parlamentar não são ilimitados e precisam respeitar outros direitos previstos na Constituição Federal”, argumentam os parlamentares. “Dessa forma, a liberdade de se expressar não se pode confundir com discurso de ódio, o incentivo à violência e a reprodução de preconceitos raciais, étnicos e de gênero. Houve, no caso, clara incitação a apologia à violência”.

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