OPINIÃO

“COMO SE SER ESCRITOR NÃO FOSSE UMA PROFISSÃO REAL”, CAMILA DORNAS EM ENTREVISTA


Camila Dornas, 23 anos, professora de inglês e eventual tradutora, moradora de Brasília. Sua família é toda de Minas Gerais, originalmente mineirinha. Gosta de ler, de fazer caminhada, polidance e de viajar. Começou seu repertório de autora aos seus 9 anos de idade e desde então não parou mais.

Como, onde e quando começou sua vontade de escrever?

Eu me lembro que desde pequena sempre gostei bastante de escrever. Escrevi minha primeira historinha, meu primeiro miniconto, quando tinha 9 anos e se chamava um conto no cemitério ou uma história no cemitério, era alguma coisa assim. Escrevi durante uma aula de português e entreguei para minha professora. Minha mãe também acabou lendo e ficou dizendo “nossa você tem muito talento”. E nem era, era uma coisa provavelmente bem terrível (risos). Mas eu entreguei para a professora e ela colocou em exposição na escola. E isso me motivou muito. Ficava querendo escrever novas histórias e mostrar a ela, mostrar para minha mãe também que ficou toda orgulhosa. E acabou que desde essa época eu nunca parei, eu sempre escrevi uma historinha aqui, um continho ali. Acabei evoluindo para escrever livros inteiros. Meu primeiro livro eu escrevi aos 13 anos. Tenho ele completo até hoje, nunca publiquei porque é um desastre (risos). E o primeiro publicado foi A Linhagem que eu escrevi quando tinha 15 anos. Depois disso nunca parei.

Como foi a experiência de publicar seu primeiro livro aos 15 anos?

Foi sensacional. Lembro que quando eu recebi a primeira notícia da editora, quando mandaram a proposta de publicação eu fiquei assim “gente eu não acredito”, porque parecia um sonho tão distante e tão fora da minha realidade ter os livros nas livrarias. Ver meu livro assim físico mesmo. Então, quando eu recebi a proposta foi totalmente surreal eu fiquei louca querendo publicar a qualquer custo. Teve alguns percalços no caminho porque editora é sempre complicado, mas a sensação de ter seu livro físico e ver seu livro nas livrarias, até hoje não senti nada igual.

Seu primeiro livro foi A Linhagem. Qual foi a ideia para escrevê-lo? É notório pelos seus enredos que você utiliza muito mulheres fortes e independentes, a ideia de “Girl Power”.

Sim, eu adoro. Na verdade, todas as minhas histórias começam com a personagem principal e a história dela, o que eu quero para ela. Essa história de A Linhagem eu tive a ideia pouco depois de ler um livro que era bem famoso na época, Dezesseis Luas, e tinha uma personagem chamada Evangeline que era uma bruxa. E aí eu olhei assim e pensei “gente que nome sensacional”, eu adorei a ideia do nome e fiquei com o nome na cabeça. E aí pouco tempo depois surgiu essa ideia “e se eu escrevesse uma história sobre uma bruxa, um talento?”. Só que eu não queria escrever alguma coisa que já existisse, então tentei sair de maneira diferente. E aí eu criei Evangeline e só depois, a partir dela foi criando o resto da história. Então mulheres poderosas e mulheres que sabem o que querem, não perfeitas, mas que sabem o que querem, que não depende de um personagem masculino de qualquer tipo para fazerem as coisas que elas têm que fazer, são o que mais me inspira assim.

O livro que veio após A Linhagem, Subconsciente, era de certa forma uma continuidade da primeira história e mesmo assim, ainda uma história a parte. Acabei pensando que você iria continuar, em seu próximo livro, com os talentos, mas acabou não continuando. O que aconteceu?

A minha intenção de quando escrevi A Linhagem foi ser um livro único, só que eu tive a ideia para Subconsciente depois, e eu queria muito que ele não dependesse do primeiro livro, porque como eu não tinha uma casa editorial eu não queria deixar os leitores na mão. Porque eu tenho pavor, medo de lançar um livro e as pessoas se apaixonarem e eu não poder levar para eles assim o segundo ou o terceiro. Então acabou que eu queria fazer os dois, um independente do outro, mas na mesma história e a intenção era depois de Subconsciente escrever o terceiro e último nesse universo, que era um livro sobre a Agatha. Agatha é uma personagem que aparece em ambos os livros e eu sempre quis escrever a história dela. Já tem até metade da história escrita, mas acabou ficando para trás. Mas eu tenho muita vontade de escrever o terceiro livro, com a história da Agatha e terminar essa trilogia.

Com surgem as ideias para o enredo, as histórias dos personagens? Como funciona a sua criatividade?

A ideia para os livros são sempre super aleatórias. Eu já tive ideia na praça de alimentação do shopping, já escrevi a ideia em um pedaço de papel higiênico, já tive ideia quando estava assistindo um filme, uma série ou lendo um livro e me inspirei. O processo de ideia nunca teve um processo muito certo. Mas quando eu decido escrever mesmo eu funciono melhor com um a rotina de escrita. Eu não espero muito por inspiração porque não é sempre que vem, então acaba que você esquece e abandona o livro. Eu tento estabelecer uma meta de palavras por dia e escrever dentro daquela meta, mas sempre com uma folguinha um tempo livre para não ter tanta pressão em mim mesma, mas isso é o que costuma funcionar para mim.

A escrita para você é um hobbie, um projeto futuro ou já uma profissão?

É uma profissão, mas eu não consigo me manter só com a escrita, então acabo ensinando para ser a minha renda fixa. Mas o meu maior sonho é conseguir ter toda minha renda, conseguir viver mesmo da escrita, até porque eu poderia viajar muito mais.

Você sente que é difícil ser escritor no brasil? Porque sempre escutamos aquele “nossa! Você vai passar fome, no Brasil ninguém lê”.

É bem complicado ser escritor nacional, brasileiro. Porque ainda existe uma resistência muito grande por parte dos leitores, isso está mudando. Agora tem mas gente que está lendo, que está aceitando e que está gostando de literatura nacional. Mas ainda tem aqueles leitores que falam “eu não leio livro nacional”, “não leio livro brasileiro” sem nem às vezes dar uma chance. Porque tem muita coisa, certo? Tem a auto publicação e tudo o mais. Agente tem que ver que sempre vai existir algo que vai decepcionar. Precisamos ver que na literatura estrangeira nós vemos o melhor do melhor, só chega para a gente aqui no Brasil, nas livrarias, o que fez muito sucesso lá fora. E no mercado nacional nós já temos muitas opções disponíveis e nem sempre elas já foram avaliadas, já são um sucesso. Mas tem obras nacionais que são sensacionais. Alguns dos meus autores favoritos como Mauricio Gomyde, autor de Surpreendente, e Renata Christiny, autora de uma Ladra em Terras Escocesas, são brasileiros e escrevem obras sensacionais, então espero que essa resistência vá diminuindo com o tempo.

Quando você diz que é escritora, você percebe comentário ruins?

Sim, a maioria das pessoas é muito fofa e fica assim “nossa! Eu não acredito, você é escritora! Que coisa incrível”. Mas sempre tem a pessoa assim “a qual sua profissão?” “sou escritora” “tá mais o que você faz de verdade?”. Como se ser escritor não fosse uma profissão real. Então acontece, mas eu sempre levo numa boa.

Quais seus autores favoritos? Que se identifica e se inspira para escrever?

Minha inspiração de fantasia foi J.K.Rowling porque eu cresci lendo Harry Potter e essa sempre foi minha história favorita, mas recentemente, há dois anos, eu conhecia a escrita da Sara J.Maas, autora da série Trono de Vidro, que eu fiquei simplesmente apaixonada. Pra mim das fantasias recentes que estão sendo lançadas são as melhores escritas, as melhores desenvolvidas com personagens mais incríveis. Eu tento construir personagens que sejam tão reais e tão consistentes quantos os que a Sara escreve. Mas tem autores que escrevem mais romances fofos que eu adoro, como Mauricio Gomyde, sou apaixonada por ele, todos os livros que compro e leio eu me inspiro no modo de escrita dele. E também a Jojo Moyes agora, eu gosto bastante dos livros dela, alguns, os que são mais dramáticos para sofrer. São os meus favoritos, porque eu gosto de sofrer.

É notório que seus enredos acabam indo mais para o lado do romance. Você já tentou outro enredo ou se identificou com esse e preferiu ficar nele?

Eu gosto muito de fantasia e drama. Eu já escrevi uma distopia, porém acaba que o romance sempre aparece ali no meio. Vira distopia romântica, fantasia romântica, drama romântico, acaba que no final sempre tem um romance. Gente eu sou apaixonada pelo amor. Segredo de estado). Eu costumava, quando era mais nova, era obcecada pelo dia dos namorados. Todo dia dos namorados eu saia na rua para procurar casais, declarações, flores, demonstrações de amor que estavam acontecendo. E eu deixava livros de romances nas paradas com recadinho bonitinho, eu sempre fazia isso quando era mais nova. Hoje em dia nem tanto porque a gente vai ficando mais desiludido quando vai ficando mais velho (risos).

Você tem vontade de colocar a obra Paraísos Selvagens em livro físico? Porque A Linhagem tem livro físico, Subconsciente também, 100 Canções para Salvar sua Vida também vai sair em livro físico agora em março. E Paraísos Selvagens?

Está abandonado. Tadinho do bichinho (risos). Eu tenho muita vontade sim de ter ele em livro físico. Talvez até ser mais trabalhada a divulgação dele. Gosto muito da história de Paraísos Selvagens, foi uma das histórias mais difíceis que já escrevi. Por se passar na Ditadura Militar do Brasil, então é uma história pessoal, certo? Minha história pessoal como brasileira. Então foi um dos livros mais difíceis que já escrevi. Com todo o drama, toda a história entre ela e o pai, foi bem complicado para mim, e eu gostaria muito de vê-lo em físico, talvez com outra capa, uma nova roupagem e espero que eu tenha a oportunidade de fazer isso acontecer. Em breve. E quem sabe até com a The Books, que eles já mostraram interesse em outras obras minhas, então quem sabe. Fica a dica The Books.

Como você vê esse processo todo de publicação?

A publicação depende do tipo de editora que você escolhe. Eu já publiquei por editora grande, já publiquei por editora menor que foi a Literata e já publiquei independente pela Amazon. Eu acho que o que causa menos estresse, a publicação mais tranquila é pela Amazon, porque como é uma publicação independente você é responsável pela sua própria divulgação. A única pessoa sobre a qual deposita expectativas é sobre você mesma. Então eu acho que é mais tranquilo, porque o meio editorial é complicado. Você tem que ter muito cuidado com editora que você escolhe, tem muita editora que só quer se aproveitar e abandonar seu livro ali. Mas é sempre bem gostoso, é uma coisa maravilhosa você começar a preparar seu livro, ver a capa, começar a trabalhar na diagramação, é realmente sensacional. Eu estou preparando 100 canções parasalvar sua vida agora, que vai sair em março, e já estou apaixonada. Toda hora fico “aí tá pronto? E agora tá prono?

Para encerrar a entrevista. Já temos um próximo livro previsto?

Eu já estou terminando o próximo livro. E esse livro, é muito engraçado, porque como falei eu tenho umas ideias muito aleatórias. E eu tive a ideia para esse livro novo quando eu li uma matéria em um blog de viagem e ai eu vi a história de uma menina que queria refazer a viagem da vó, e eu me apaixonei pela história que eu vi no blog e fiquei “gente e se eu escrevesse isso aqui de um maneira assim e tá tá”. Acabou que a história ficou totalmente diferente do que imaginei inicialmente, mas está ficando bem legal. Faltam poucos capítulos para terminar, prevejo 10 capítulos para terminar e acredito que ela saia ainda esse ano (Espero!).

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