sexta-feira, maio 08, 2020

MUTILAÇÃO GENITALIA FEMININA AGORA É CRIME NO SUDÃO

“A LEI VAI PROTEGER GAROTAS DESSA PRÁTICA BÁRBARA E PERMITIR QUE VIVAM COM DIGNIDADE”, SALMA ISMAIL

Em 2018 a mutilação genitália feminina foi proibida na Nigéria, África, agora a prática considerada por muitos religiosa será proibida, em lei, também no Sudão. A lei aprovada, em 22 de abril, define que qualquer pessoa que for encontrada realizando a MGF (mutilação genitália feminina) pegará até três anos de prisão, de acordo com documento visto pelo jornal The Guardian, além da retirada da licença médica onde a operação for efetuada.

Alguns estados conseguiram banir a MGF há alguns anos, mas as tentativas de banimento nacionalmente foram interceptadas pelo antigo governo ditatorial de Omar al-Bashir, que teve sua queda em abril.

Um relatório divulgado em março classifica como mutilação genitália “todos os procedimentos que envolvam a remoção, parcial ou total, da genitália feminina externa ou que causem lesões a órgãos genitais femininos, por motivos não médicos”. Segundo a OMS, estes procedimentos não trazem nenhum beneficio a mulher, podendo causar até graves hemorragias, infecções, complicações no parto e um agravamento do risco de morte do recém-nascido.

As pessoas que ainda acreditam na prática podem não denunciar casos ou agir para o impedir quando sabem que isso está a acontecer”, explicou Faiza Mohamed, diretora regional da Equality Now em África.

Segundo a ONU, 87% das mulheres sudanesas foram submetidas à pratica. As meninas são cortadas entre as idades de 5 a 14 anos. Com o atual código penal aprovado pelo governo a prática passa a ser criminalizada. “A lei vai proteger garotas dessa prática bárbara e permitir que vivam com dignidade. Também vai ajudar mulheres que não querem mutilar suas filhas, mas foram obrigadas, a dizer não. Mas há consequências.”, informou Salma Ismail, porta-voz do UNICEF no Sudão. 

Um comentário: