sábado, outubro 10, 2020

‘FORJADOS NO CORAÇÃO DO UNIVERSO... DUAS ALMAS NASCIDAS PARA AMAR’ NA OBRA ‘AS QUATRO FASES DA LUA’ DA AUTORA M.E. PASCHOAL

A alegria é, por mais que tentem desencantar isso, impulsiva e subjetiva para cada ser, ela existe para servir aos que a desejam. E a cada oportunidade é preciso vivê-la. Intensamente.

As Quatro Fases da Lua é um livro instigante e diferente de tudo que eu já tenha lido. Como a própria autora M.E. Paschoal colocou em um bato papo que tivemos, nos “convida a uma imersão, uma subjetividade”. A obra, recebida em parceria com a Editora Skull, trata se de um romance desenvolvido em quatro contos, cada um dos contos é narrado sob uma fase da lua: lua nova, lua crescente, lua cheia e lua minguante.

Mas não se engane, mesmo que os contos sejam únicos, eles ainda se complementam. “Cada conto é único, mas é interessante como se conectam e vão acrescentando novos sentidos”, disse a autora durante nosso bate papo. 

Se havia algo que estava tentando aprender era deixar o passado em seu devido lugar. Para não suscitar reverberações que nada tinham a ver com o presente, para não viver no looping de ciclos antigos que precisavam de um fim.

No primeiro conto somos levados a vida do habitante de uma casa e sua jabuticabeira, enquanto o mesmo dialoga com um ancião vindo com o intuito de ajuda-lo em suas questões internas. De inicio somos apresentados a ambos os personagens sem nome, por mais que possamos identificar que um deles é um ser místico, ou divino, enquanto o outro ainda não conseguimos lhe dar uma aparência definida ou até mesmo uma personalidade clara, assim colocando. 


Apresentados ao habitante da casa e o ancião, somos levados a garota de olhos do infinito, no segundo conto: a habitante do quarto-templo com suas paredes roxas, assim sendo a cor favorita da menina. A garota, tão singular, não consegue ter uma relação com os pais e não se sente parte do mundo, acreditando assim que algo lhe falta (uma parte, talvez) e que é isso que a faz ser tão diferente de todos os outros, mesmo que suas ideias sejam confusas por vezes. Até que ao anoitecer e em sua prece noturna um anjo aparece em sua janela, despertando na garota um sentimento que até então achou que não pudesse sentir: amor. Mas será ele um anjo?

A felicidade só é real, quando compartilhada.

No terceiro conto temos o desvendar do mistério que vai se desenrolando com o passar das páginas, a impressão que temos é que se passou um tempo considerável entre a menina de olhos do infinito e o anjo, e o reaparecimento do ancião para salvar aquilo que foi perdido. Ou será salvar aquele que se perdeu? Será que divindades podem fazer escolhas erradas? 


No quarto, e último conto, o desfecho e o recomeço de algo muito maior. Um reencontro entre duas almas, ou dois amores existentes no eterno. 

O que posso dizer sobre a obra? É muito diferente, como citei acima, e diria instável, porque não colocaria que existe uma cronologia dos fatos. Há um início, meio e fim para cada conto que nos colocamos a ler, mas (descobri pela autora) que é possível ler em outra ordem. “Se você optasse por ler em outra ordem, e existe essa possibilidade, a sua percepção e o ritmo da obra assumiria diferentes aspectos para você. Então isso enriquece o enredo e a leitura. E isso se conecta com as faces da própria lua, que é instável e misteriosa”, como colocado pela M.E.Paschoal

O enredo colocado pela autora é escrito, por vezes, em forma de uma prosa poética, há muitos diálogos e trechos ritmados, como só a própria poesia tem. É um romance, de certo modo sobrenatural, ou divino, com um enredo que pode funcionar ou não funcionar (a depender do leitor). Para mim funcionou e me deixou até curiosa sobre querer ler em outra ordem e descobrir o que posso tirar de proveito, percepções, sobre a experiência. 

E então você leria uma obra tão singular assim?

Nos encontros, o acaso se veste de destino, veste-se de Tempo, veste-se de Universo e também de Deus; brinca com a verdade das pessoas, com o orgulho e a falta de fé – inerente a tantos seres.

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